"Estamos navegando às cegas nesse mercado", disse Andrea Illy
Por José roberto Marques da Costa
Com um dos maiores volume dos últimos meses de 72.049 lotes em NY, 8.101 lotes a mais que quinta-feira, o contrato de café arábica em março fechou novamente em alta, acumulando 12 pregão consecutivo recorde histórico, contrato de março teve leve alta 0,40 cents a 404,35 cents, variando de 14,00 cents de 399,95 cents a 413,95 cents, ultrapassando a primeira resistência do dia, em 410,57 cents. Nos últimos 14 pregões acumula alta de 76 cents ( 23,15% ), na mais longa sequência de ganhos dos últimos 45 anos. O volume em Londres atingiu 14.769 lotes, cerca de 14.271 lotes a menos que quinta-feira, o contrato futuros de café robusta de março fecharam em forte queda de US$ 72 a US$ 5.561/t, com variação US$ 95 de US$ 5.548/t a US$ 5.643 /t, acumulando na semana perda de US$ 157 e no ano alta de US$ 686 a tonelada.
O pregão de café arábica em NY teve 3 fases bem destintas, na primeira parte, em alta chegou a máxima de 409,90 cents não chegando a primeira resistência, por volta da 13:30 horas, reverteu totalmente a tendência e começou a operar em queda em meio a rumores de que Donald Trump irá anunciar uma tarifa universal sobre produtos importados ainda nesta sexta, segundo a agência Reuters. O dólar e os rendimentos dos treasuries estenderam os ganhos e março atingiu a mínima de 399,95 cents, depois do impacto da notícia, começou a se recuperar fechando em 404,35 cents.
A grande surpresa foi a performance durante nos últimos 20 minutos after hours( opera mais 1 hora depois do fechamento ), depois que Trump diz que anunciará tarifas de reciprocidade na próxima semana, aconteceu uma intensa compras de investidores, ultrapassando a primera resistência em 410,57 cents, levando a máxima de 413,95 cents ( 15:18 hs ), alta de 10 cents, novo recorde histórico, fechando o after hours a 111,95 cents, alta de 8 cents. Na segunda-feira, o pregão deve abrir neste nível, na quarta-feira ( 12) o vencimento das opções de março e no dia 20 de fevereiro primeiro dia de aviso do contrato.
O relatório da CFTC referente a 4 de janeiro mostram que os grandes fundos diminuíram suas posições compradas em 2.014 lotes e aumentaram suas posições vendidas em 1.116 lotes, neste período a variação de março passou de 349,20 cents a 383,25 cents, alta de 34,05 cents com forte aumento ( migração ) de 8.096 de contratos em abertos e a grande surpresa foi a aumento de 6.630 lotes nas posições compradas dos comerciais. Pelos dados da CFTC (Commodity Futures Trading Commission), mostraram queda de 5,8% nas posições líquidas compradas dos grandes fundos. As posições abertas tiveram alta de 3,1% ( 8.096 lotes ), passando 259.850 lotes para 267.946 lotes, na últimas duas semana o aumento foi de 26.121 contratos abertos.
Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 50.333 posições líquidas compradas, sendo 58.621 posições compradas e 8.288 posições vendidas no último dia 28. No relatório anterior, referente a 28 de janeiro, eles tinham 53.463 posições líquidas compradas sendo 60.653 posições compradas e 7.172 posições vendidas. No resumo, 87,6% dos grandes fundos apostam na alta e 12,4% apostam na baixa. As empresas comerciais diminuíram em 5,85% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 04, saldo de 92.784 posições líquidas vendidas, sendo 58.489 posições compradas e 151.273 vendidas. No relatório anterior do dia 28, possuíam 98.550 posições líquidas vendidas, sendo 51.859 posições compradas e 147.379 vendidas.
Nesta semana, fato inédito está acontecendo no Brasil, o mercado está sem liquidez, negócios nas principais praças de café totalmente travado, um verdadeiro "cabo de guerra", entre compradores e vendedores. Os compradores não repassam as altas dos últimos pregões em NY temendo o impacto psicológico quando no valor saca de café em R$ 3 mil. A reação natural dos compradores, aconteceu anos atrás, quando o valor a saca se aproximava de R$ 1 mil, no ano passado quando a saca tinha possibilidade de ultrapassar R$ 2 mil.
Atualmente o vendedor está no comando, capitalizado, estoques interno acabando e em 2025 a pior safra de café arábica dos últimos quatro anos, com reação natural se retirar, esperando maiores altas nos próximos meses, deixando o mercado sem liquidez. A melhor definição no atual momento foi de Tomas Araujo, corretor de café da StoneX, "café spot é ouro, afloat é prata e FOB (free-on-board) é chumbo". Se hoje, NY acima de 400 cents está sem liquidez devido a vários fundamentos, quando imagino daqui a 90 dias, me da "arrepios". Alguns analistas vão retrucar, afirnando que daqui a 90 dias começam aparecer café da nova safra e a pressão deve começar a cair, mas quanto mais café a nova safra entrar precocemente, mais café deve faltar para embarques e consumo interno no primeiro semestre de 2026.
Para consultor de mercado Lúcio Dias, além da expectativa de déficit na produção do Brasil, há outros elementos que favorecem a trajetória de altas do café na bolsa americana. O café sofre um impacto muito forte do mercado financeiro. Se grande parte dos participantes está apostando na tendência de alta, outros agentes são motivados a entrarem comprados [apostar na alta], pois quem está posicionado dessa forma está ganhando dinheiro, o que ajuda a manter os preços nesses níveis.
Para o consultor, é difícil dizer se os contratos futuros atingiram um teto na bolsa. No entanto, o patamar elevado nos valores causa uma disfunção que pode levar à realização de lucros de maneira natural. O mercado está com baixa liquidez neste momento. O produtor não quer entrar nas negociações e as indústrias não encontram matéria-prima. Quem está comprado, uma hora percebe que não tem como o preço subir mais, e aí será a oportunidade de realização. Não sei dizer se isso está próximo de acontecer, mas é preciso que o mercado siga seu caminho natural. Nenhum pregão funciona só com altas.
Segundo analista de mercado, o quadro geral está muito confuso, rallly do arábica não mostra sinais de parada, a restrição contínua de oferta que manteve os preços elevados está sendo ainda mais exacerbada por desafios logísticos. Uma situação já difícil está piorando devido às tensões geopolíticas e à ameaça de tarifas, fazendo com que os envios de todos os tipos de mercadorias agilizem as reservas para fora das zonas comerciais afetadas. Um pequeno aumento recente no interesse aberto e um aumento nos longos comerciais — um indicador para torrefadores — também indicam que os torrefadores estão construindo hedges depois de ficarem de fora na esperança de que os preços caiam. Com o primeiro dia de aviso do contrato de março se aproximando (em 20 de fevereiro) e os participantes do mercado renovando seus contratos por meses mais distantes, a situação provavelmente se tornará ainda mais tensa e volátil.
Segundo a Reuters, os negociantes disseram que o mercado estava observando atentamente se o recente aumento dos preços do café arábica poderia levar a uma redução da demanda. A diferença de preço entre o arábica e o robusta aumentou recentemente porque o café robusta não conseguiu acompanhar o aumento de preço do arábica. Isso oferece aos consumidores de café uma alternativa mais barata novamente, o que poderia tirar o fôlego das velas do arábica.
Para Leonardo Rossetti, analista de mercado da StoneX, o pessimismo com a safra de café no país começou em setembro do ano passado, quando as altas temperaturas atingiram áreas produtoras do sul de Minas Gerais. “A chuva atrasou no momento crucial da florada, quando as plantas já estavam sofrendo com estresse hídrico. A precipitação voltou em outubro, mas não recuperou muitas áreas castigadas pela seca. A partir de novembro, o preço ganha ainda mais fôlego para chegar aos patamares atuais.
Segundo ele, só neste ano, o café acumula valorização de 26% na bolsa, e desde o fim de 2023 o preço mais que dobrou. Em dezembro daquele ano, o café era cotado a 198 cents. Rossetti considera como um vetor importante para a alta do café a redução dos estoques nos principais países consumidores. Isso, segundo ele, gera um “desespero maior” na procura pelo grão. “Se analisarmos a safra ano a ano, não temos um cenário tão desastroso para a produção deste ciclo. Mas como estamos há quatro temporadas com produção aquém do ideal, e estoques cada vez menores, fica a sensação de que chegamos em um nível crítico na oferta”, diz.
Na avaliação de Marcelo Jordão, engenheiro agrônomo e coordenador da unidade de pesquisa da região da Alta Mogiana da Fundação Procafé, ainda não é possível quantificar as perdas, mas a queda dos ‘chumbinhos’ no café está mais forte este ano do que em 2024. Essa queda ocorre até a metade do mês e pode impactar na produtividade de um ano que já está ruim. O lado positivo é que a produtividade tende a ser melhor em 2026. “Quando a planta reduz a produção na safra corrente, ela gasta menos energia com os grãos. Então os ramos crescem mais e a produtividade melhora no ano seguinte.
De acordo com um relatório da Bloomberg, os temores sobre a produção futura no Brasil, aumentaram após uma seca prolongada. Fortes exportações do país no início da temporada estão agravando a pressão atual sobre o fornecimento, e os fazendeiros locais venderam mais de sua safra do que o normal neste momento do ano, deixando dúvidas sobre quanto restará para enviar. “Ainda devemos ter alguma volatilidade adicional até a chegada da próxima safra”, diz Pavel Cardoso, presidente da Cecafé. Também há preocupações sobre a produção no Vietnã, o maior produtor de Robusta, depois que os campos foram atingidos por clima desfavorável. Juntos, espera-se que isso leve os estoques globais a uma baixa de 25 anos, prevê o USDA.
De acordo com dados contidos no Relatório do Mercado de Café da Ico - divulgado na quinta-feira - as exportações totais de todas as formas de café caíram 0,8% para 32,251 milhões de sacas no último trimestre de 2024, ante 32,524 milhões no mesmo período de 2023. O declínio se deve apresentar à tendência negativa registrada em dezembro. No último mês do ano, as exportações internacionais caíram fortemente (-12,4%) para 10,727 milhões de sacas, em comparação com 12,25 milhões em dezembro de 2024.
A recente alta do café pode fazer com que os preços para os consumidores aumentem nos próximos meses e prejudiquem a demanda, de acordo com Andrea Illy, CEO da Illy. Os futuros dos grãos arábica de alta qualidade estão em alta, dobrando no último ano sendo negociado acima de US$ 8 quilo nesta semana. Além dos estoques nos arnazéns monitorados pela bolsa, não se saba ao certo a quantidade de oferta disponível nos países de origens de de destino. Estamos navegando às cegas nesse mercado, disse Illy a Boomberg. Alertou " que é possivel que o preço de varejo pode aumentar entre 20% a 25% nos próximos meses. O aumento dos preços já prejudicou a demanda nos principais mercados e está começando a frear o crescimento do consumo, outrora em alta, nas economias emergentes".
Apesar de relatos no mercado indicarem que os produtores estão retraídos nas vendas, aguardando altas ainda maiores nos preços, visto que estão capitalizados por conta das boas receitas obtidas nos últimos meses, a exportação de café verde do Brasil em janeiro atingiu 4,09 milhões de sacas ( 245,3 mil toneladas ), alta de 9,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados nesta sexta-feira. Os embarques também aumentaram em relação ao total de dezembro (201,9 mil toneladas), quando as exportações tinham caído em relação ao recorde histórico registrado em novembro, de mais de 285 mil toneladas.
Segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), até dia 7 de fevereiro, os embarques brasileiros do mês totalizaram 536.343 sacas, alta de 4,1%, sendo 599.546 sacas de café arábica, 21.076 sacas de café conillon e 26.268 sacas de café solúvel.Os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque de fevereiro totalizavam 730.630 sacas, queda de 36,2%, sendo 599.546 sacas de arábica, 67.971 sacas de conillon e 63.113 sacas de solúvel.
O Vietnã exportou 154.635 toneladas ( 2,576 milhões de sacas ) de café em janeiro de 2025, arrecadando 799,5 milhões de dólares, de acordo com estatísticas da Associação Vietnamita de Café e Cacau ( Vicofa ). Desse total, as exportações de café verde atingiram 137.568 toneladas ( 2,293 milhões de sacas ), gerando 694,9 milhões de dólares, marcando uma queda de 38,2% no volume, mas um aumento de 8,8% no valor em comparação ao mesmo período do ano passado.
As exportações de café processado totalizaram 17.067 toneladas ( 284.443 sacas ), gerando 104,6 milhões de dólares, representando 11% do volume total e 13% do valor total exportado. Em janeiro, as empresas de investimento estrangeiro direto (IED) contribuíram com 21,8% do volume total de exportação de café verde do Vietnã e 22,4% do valor total das exportações para este segmento.
Em 2024, as empresas nacionais exportaram quase 1,35 milhão de toneladas ( 22,499 milhões de sacas ) de café, gerando uma receita recorde de 5,62 bilhões de dólares. O preço médio de exportação do café atingiu uma alta histórica de 4.178 USD por tonelada ( US$ 250,69 por saca ), com os preços subindo para 5.855 USD por tonelada em novembro de 2024. Enquanto isso, os preços domésticos do café cru atingiram o pico de 131.000 VND (5,2 USD) por quilo ( R$ 1.800,00 a saca ), gerando um lucro líquido de mais de 90.000 VND por quilo para os agricultores, após a dedução dos custos