Café tem dificuldades para atender consumo interno e exportações
Santos, sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025
Após várias semanas com os contratos de café, em Nova Iorque e Londres, subindo forte, rompendo, dia após dia, patamares históricos de preços (do início de 2025 até a sexta-feira passada, os contratos para março próximo na ICE americana acumularam alta de dez mil pontos), tivemos uma semana praticamente perdida para os negócios de café. Na segunda-feira, feriado nacional nos EUA, a ICE Futures US, principal termômetro do mercado, não abriu, levando a um dia lento, praticamente paralisado para os negócios, em todas as praças.
Nos demais dias desta semana, as cotações do café na ICE americana foram comandadas pelos últimos dias de rolagem para maio dos contratos com vencimento em março próximo. Tivemos pregões com fortes e rápidas oscilações e fechamentos em queda.
Ontem tivemos quedas expressivas e nesta sexta-feira, os contratos de café na ICE Futures US oscilaram menos e fecharam com pequenas quedas. Os de robusta, na ICE Europe terminaram o pregão com boas altas.
Em nossa opinião, os fundamentos do mercado de café permanecem os mesmos. Os estoques são baixos, tanto nos países produtores como nos consumidores, e os problemas climáticos, com eventos extremos, se sucedem em todo o mundo, sem previsões de que diminuirão em 2025. No Brasil, temos um cenário apertado neste segundo semestre do ano-safra brasileiro (janeiro a junho), indicando dificuldades para abastecermos o consumo interno e nossas exportações nos próximos meses. Há um consenso no mercado brasileiro, de que é muito pouco o que ainda resta de café da safra atual em mãos dos cafeicultores. Com esse final de estoques, teremos de atender até maio o consumo interno brasileiro, de aproximadamente 1,7 milhão de sacas por mês, e nossas exportações de março, abril, maio e junho. Nossa nova safra 2025, não será maior que a 2024.
Os contratos de arábica com vencimento em maio próximo na ICE em Nova Iorque, oscilaram hoje 1.015 pontos entre a máxima e a mínima, batendo em US$ 3,9400 na máxima do dia, em alta de 410 pontos. Fecharam valendo US$ 3,8925, com perdas de 65 pontos. Ontem caíram 2.200 pontos e anteontem subiram 665 pontos. Na terça-feira recuaram 215 pontos, e na segunda-feira não houve pregão. Somaram queda nesta semana de 1.815 pontos. Na semana passada subiram 1.070 pontos, e na semana anterior à passada, tiveram alta de 2.535 pontos. No mês de janeiro subiram 5.650 pontos.
Os contratos de arábica para março próximo bateram na máxima do dia em US$ 4,0550 por libra peso. Fecharam o pregão valendo US$ 4,0000 por libra peso, em alta de 425 pontos. Somaram queda nesta semana de 1.975 pontos. Na semana passada subiram 1.540 pontos e na semana anterior à passada somaram alta de 2650 pontos. No mês de janeiro, a alta acumulada foi de 5.810 pontos.
Na ICE Europe, os contratos de robusta para maio próximo bateram, na máxima do dia, em 5.734 dólares por tonelada. Fecharam o pregão valendo 5.5.717 dólares, em alta de 62 dólares. Ontem caíram 91 dólares e anteontem subiram 25 dólares. Na terça-feira tiveram ganhos de 41 dólares e na segunda caíram 46 dólares. Somaram queda nesta semana de 9 dólares.
Os estoques de cafés certificados na ICE Futures US subiram hoje 8.936 sacas. Estão em 787.999 sacas. Há um ano eram de 307.262 sacas. Subiram nesse período 480.737 sacas. Somaram queda nesta semana de 51.400 sacas e na semana passada de 23.339 sacas. Na semana anterior à passada caíram 4.844 sacas. No mês de janeiro acumularam queda de 112.385 sacas.
O dólar fechou a R$ 5,7310 em alta de 0,47 %. Encerrou a semana passada a R$ 5,6970 e a sexta-feira anterior à passada a R$ 5,7960.
Em reais por saca, os contratos para maio próximo na ICE Futures US fecharam hoje valendo R$ 2.950,89. Fecharam a última sexta-feira valendo R$ 3.070,16. Encerraram a sexta-feira anterior à passada a R$ 3.039,90.
O mercado físico brasileiro permaneceu praticamente paralisado por toda a semana. Nas bases oferecidas pelos compradores, os vendedores recuam e os negócios não são concluídos. O volume continua abaixo do necessário para atender às necessidades do consumo interno e exportação.
Entre esta sexta-feira e o final de semana as condições de tempo começam a mudar sobre as áreas produtoras do centro-sul, quando uma frente fria deve avançar pelo oceano propagando instabilidades sobre áreas produtoras de São Paulo e sul de Minas Gerais. As chuvas ainda serão esparsas entre o sábado e o domingo e não devem avançar sobre as áreas mais ao norte da região, mas já devem começar a aliviar o calorão. As chuvas devem ocorrer de forma mais significativa no início da próxima semana. Especialmente entre a segunda, 24, e a terça-feira, 25, as chuvas tendem a se espalhar e ocorrer com volumes moderados em áreas produtoras entre São Paulo e centro-sul de Minas Gerais. Até a virada do mês as chuvas tendem a se espalhar de forma mais esparsa para as áreas mais ao norte do Sudeste e partes da Bahia (CLIMATEMPO).
Até dia 21, os embarques de fevereiro estavam em 1.614.438 sacas de café arábica, 128.072 sacas de café conillon, mais 144.220 sacas de café solúvel, totalizando 1.886.730 sacas embarcadas, contra 2.687.021 sacas no mesmo dia de janeiro. Até o mesmo dia 21, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em fevereiro totalizavam 2.113.954 sacas, contra 3.473.199 sacas no mesmo dia do mês anterior.
A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 14, sexta-feira, até o fechamento de hoje, caiu nos contratos para entrega em maio próximo 1815 pontos ou US$ 24,00 (R$ 137,59) por saca. Em reais, as cotações para entrega em março próximo na ICE, fecharam no dia 14 a R$ 3.070,16 por saca, e hoje sexta-feira, a R$ 2.950,89. Hoje, nos contratos para entrega em maio, a bolsa de Nova Iorque fechou em baixa de 65 pontos.