500 cents, nível insondáveis a anos atrás, começa a se tornar uma realidade
Por José Roberto Marques da Costa
O volume de negócios em NY nesta sexta-feira foi um dos mais baixos do mês de fevereiro, atinge somente 25.756 lotes, 14.673 lotes que na quinta-feira quando teve volatilidade de 13,60 cents. Maio fechou em leve queda de 0,55 cents a 373,05 cents ( 0,14% ), menor nível deste 04 de fevereiro, também teve a menor variação de fevereiro, somente 9,35 cents, de 369,70 cents a 379,05 cents, operando dentro do intervalo entre primeiro suporte do dia em 367,55 cents e primeira resistência em 381,15 cents.
Mais um dia que pregão que teve pressão de especuladores e maio fez a mínima de US$ 369,70 cents não chegando a mínima de ontem em 369,05 cents e de quarta-feira em 366,30 cents, novamente encontrou forte compras de grandes investidores em 370,00 cents, mostrando ser importante suporte de curto prazo. Nos últimos onze pregões do café arábica em NY, maio acumula perda de 52,05 cents (- 12,2% ), no mês de fevereiro acumula alta de 1,75 cents e nos dois primeiros meses do ano alta de 55,20 cents ( + 17,4% )
O volume em Londres atingiu 12.254 lotes, 2.659 lotes a mais que na quinta-feira o contrato futuros de café robusta de maio fechou em queda de US$ 46 a US$ 5.330/t, com variação US$ 143, US$ 25 a mais que na quinta-feira, de US$ 5.285/t a US$ 5.425/t, rompendo primeiro suporte em US$ 5.328/t, não tendo força para chegar a primeira resistência em US$ 5.446/t, no mês fevereiro acumula queda de US$ 344 a tonelada ( - 6,06% ) e em no anos de 2025, acumula alta de US$ 525 a tonelada ( + 15% ). A diferença de preço entre NY e Londres passou para 131,28 cents ante a 129,74 cents de quinta-feira.
O relatório da CFTC referente a 25 de fevereiro mostram que os grandes fundos diminuíram suas posições compradas em 620 lotes e aumentaram suas posições vendidas em 712 lotes, neste período a variação de março passou de 405,25 cents a 375,90 cents, queda de 29,35 cents. A supresa continua, nesta perído a queda foi de 7,2% e os comerciais diminuíram suas posições líquidas vendidas em 2,9%, impressionante, eles não estão apostando na baixa, mas em alta.
Pelos dados da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) divulgados nesta sexta-feira, 28 de fevereiro referente ao dia 25 de fevereiro, mostraram queda de 3,08% nas posições líquidas compradas dos grandes fundos. As posições abertas tiveram leve queda de 0,9%, passando 217.789 lotes para 215.766 lotes. Segundo os números, os grandes fundos possuíam 41.791 posições líquidas compradas, sendo 51.003 posições compradas e 9.212 posições vendidas no último dia 25. No relatório anterior, referente a 18 de fevereiro, eles tinham 43.123 posições líquidas compradas sendo 51.623 posições compradas e 8.500 posições vendidas. As empresas comerciais diminuíram em 2,9% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 25, saldo de 82.502 posições líquidas vendidas, sendo 41.304 posições compradas e 123.806 vendidas. No relatório anterior do dia 17, possuíam 84.969 posições líquidas vendidas, sendo 42.925 posições compradas e 127.894 vendidas.
Pelos dados dos relatórios da CFTC, os fundos não foram os responsáveis pela forte volatilidade nos últimos 60 dias, nos dois primeiros meses de 2025, os grandes fundos de investimentos mantiveram as suas posições líquidas compradas, neste período os contratos futuros de NY tiveram alta de 55,20 cents ( 11,8% ), passando de 318,40 cents para 375,20 cents. No último dia de 2024, eles tinham 41.753 posições líquidas compradas, sendo 50.912 lotes comprados e 9.159 vendidas,, atualmente estão com 41.791 posições líquidas compradas, sendo 51.003 lotes comprados e 9.212 lotes vendidos. Neste período, os comerciais diminuíram sua posições líquidas vendidas em 11.936 lotes ( 12,6% ), passando de 94.438 lotes para 82.502 lotes, sendo compradas de 50.531 lotes para 41.304 lotes e vendidas de144.849 lotes para 123.806 lotes.
Para Haroldo Bonfá, diretor da Pharos Consultoria, não há, no momento, nenhuma novidade na parte dos fundamentos que justifique a sequência de quedas na bolsa. O mercado ainda segue pautado por realizações de lucros, após as máximas históricas alcançadas recentemente. Somente em fevereiro, o preço subiu mais de 20%. Além disso, não estão descartados novos recordes para o grão na bolsa, pois ainda há preocupações com a oferta do Brasil, que agora começa a impactar as exportações do país, segundo ele.
Segundo o consultor de mercado Gil Barabach, o café fecha fevereiro ensaiando uma tímida acomodação em NY, ainda em meio ao movimento corretivo de baixa. Nesta correção, NY para maio chegou a cair a 366,30 cents no dia 26, o que representa uma queda de 15% em apenas 10 dias. A sinalização de sobrecompra alimentava o movimento corretivo, enquanto a indicação de um mercado excessivamente esticado forçava um ajuste mais expressivo. O mercado busca agora sustentar a linha de 370 cents, enquanto aguarda novidades do lado fundamental.
" Feito o ajuste técnico, esperado, o mercado volta a olhar com mais atenção aos fundamentos. Os principais marcadores fundamentais do mercado de café são as floradas no Vietnã, a chegada da safra no Brasil e na Indonésia, e, mais à frente, o inverno brasileiro. A próxima safra e o clima no Brasil entram mais fortes no radar. Depois de um início de ano com clima favorável para as lavouras de café do Brasil, com chuvas regulares e temperaturas mais amenas, as últimas semanas voltaram a gerar preocupação em relação à produção. “O bolsão de calor, com a redução das chuvas e temperaturas muito elevadas, pode estressar as plantas, o que teria consequências para o desenvolvimento da safra, que começa a ser colhida em breve. É claro que o quadro ainda está muito aberto, e as lavouras e as regiões podem responder de formas diferentes a esse momento climático. Contudo, acende-se um sinal de alerta”, comenta Gil Barabach.
Segundo artigo na quinta-feira da Perfect Daily Grind, o discurso sobre um preço de 500 cents está se tornando cada vez mais comum, com alguns apontando para números ainda maiores. Embora esses números possam ter parecido insondáveis ??alguns anos atrás, eles estão rapidamente se tornando uma realidade para a indústria do café – e irão remodelar os “negócios como de costume” no longo prazo.
Para Bob Fish, CEO e cofundador da Biggby Coffee, a duas semanas após atingir o maior número da história do mercado, os futuros do arábica caíram abaixo de 380 cents. Precipitado por exportações recordes do Brasil e uma recuperação nos estoques globais de arábica, a trajetória descendente não deve durar muito. Há relatos de alguns produtores esperando que os preços subam novamente, forçando os comerciantes a adquirir mais crédito e pressionando ainda mais as margens já estreitas. O risco crescente provavelmente levará os preços para cima, com muitos na indústria questionando se poderemos ver outro recorde de alta no final de março ou início de abril. Para ele " 550 cents parece um número razoável, mas 750 cents não está fora de questão. Até 1000 cents é uma possibilidade; basta olhar para o mercado de cacau no ano passado.
Entre janeiro e abril de 2024, o preço do cacau quase triplicou, disparando de US$ 4.444/tonelada para mais de US$ 12.538 . Exacerbado pela crise do Mar Vermelho e pelo clima desfavorável em Gana e na Costa do Marfim, que levou a um declínio de 11% na oferta global, o rali notável deixou os compradores de cacau em frenesi. Os consumidores sentiram o impacto em seus bolsos. De acordo com dados de um artigo do Guardian , o preço do chocolate nos supermercados do Reino Unido aumentou entre 40 e 88% em um ano, já que os atores da cadeia de suprimentos inevitavelmente repassaram os custos aumentados aos clientes.
O recorde anterior de 1977 para futuros de arábica, ajustado para inflação em 2025 usando a calculadora de inflação do Bureau of Labor Statistics dos EUA, é de mais de US$ 17/lb . O preço atual está bem longe desse número, mostrando o quão subvalorizado o café é como uma commodity, mas também demonstrando o que pode ser possível se os preços continuarem a subir em linha com as taxas de inflação. Embora os altos preços do café possam ser temporários, muitas pessoas estão questionando se veremos um novo recorde nos próximos meses. Se isso acontecer, mudanças fundamentais na indústria remodelarão a dinâmica do comércio global de café no futuro previsível. “Provavelmente estamos no 'olho do furacão' até a 'primeira chamada' para abril na última semana de março”, Bob conclui. “Os níveis mais altos podem ainda estar por vir.”
Segundo Eduardo Carvalhães, os fundamentos do mercado de café permanecem os mesmos. Os estoques são baixos, tanto nos países produtores como nos consumidores, e os problemas climáticos, com eventos extremos, se sucedem em todo o mundo, sem previsões de que diminuirão em 2025. No Brasil, temos um cenário apertado neste segundo semestre do ano-safra brasileiro (janeiro a junho), indicando dificuldades para abastecermos o consumo interno e nossas exportações nos próximos meses. Há um consenso no mercado brasileiro, de que é muito pouco o que ainda resta de café da safra atual em mãos dos cafeicultores. Com esse final de estoques, teremos de atender até maio o consumo interno brasileiro, de aproximadamente 1,7 milhão de sacas por mês, e nossas exportações de março, abril, maio e junho. Nossa nova safra 2025, não será maior que a 2024.
Segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), até dia 28 de fevereiro, os embarques brasileiros do mês totalizaram 2.874.445 sacas, queda de 22,9% , sendo 2.431.864 sacas de café arábica, 197.973 sacas de café conillon e 244.608 sacas de café solúvel. Os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque de fevereiro totalizavam 3.102.401 sacas, queda de 32,1%, sendo 2.577.759 sacas de arábica, 245.712 sacas de conillon e 279.9320 sacas de solúvel. Pelos dados da Cecafé, a projeção indica exportação em fevereiro deve ficar em 3 milhões de sacas, 977 mil sacas a menos que janeiro quando atingiu 3,977 milhões de sacas, nos úlrtimos 14 meses foram embarcadas 57,5 milhões de sacas e consumidas no mercado inteno 25,6 milhões de sacas, totalizando 83,1 milhões de sacas.
Segundo a Safras & Mercado, a comercialização de café da safra 2025/26 está em um ritmo bem lento sob pressão de faltar grão para a indústria nos próximos meses. Em relação às vendas do ciclo 2025/26, o número é bem abaixo do que é praticado nos últimos anos no Brasil. Já o fluxo de vendas da safra de 2024/25 acelerou diante dos preços altos nas bolsas e chegou a 90%, restando apenas 10% para movimentar no mercado. O “enxugamento” da oferta vai mudar a estratégia dos vendedores, provocando um ritmo “cadenciado” na comercialização do que ainda sobra de café na mão do produtor.
Devido a forte exportação brasileira em 2024, deixou os estoques remanescente na mínima histórica. Tendo como base, a produção de 65,6 milhões de sacas em 2024 da Safras, restam apenas 6,56 milhões de sacas para ser comercializada nos próximos 90 dias, sendo que 5 milhões de sacas serão consumidas pelo mercado interno, restando apenas 1,56 milhões para serem exportados mais o que restam dos estoques e o mercado começa a desconfiar que não haverá café para todos. Não foi por falta de avisar, a meses a Agnocafé está alertando que de não haverá café para todos nos próximo 90 dias.
Segundo Marcelo Fraga Moreira, analista da Archer Consulting, "o estoque disponível no Brasil continua sendo uma grande incógnita. Conversando com uma das maiores empresas de café nessa semana a informação que recebi do seu principal executivo foi a seguinte: “nosso estoque atual já está todo comprometido. O estoque de passagem do Brasil da safra 23/24 para a safra 24/25 já era muito baixo. Acredito que o estoque de passagem da safra atual para a 25/26 será praticamente zero. Com estoque de passagem zero então só podemos fazer ajustes com a produção interna (ajustando os números da Conab) e com os números do consumo interno (dados da Abic). O único número que consideramos como correto é o número da exportação da Cecafé”!
Segundo Bruna Machado, da GRV Coffee Brokers, o clima continua sendo um fator determinante. A chegada de uma frente fria a partir de junho de 2025 e o retorno das chuvas entre setembro e outubro serão momentos-chave para confirmar o potencial produtivo da safra seguinte. O crescimento da área plantada nos últimos três anos mostra o investimento contínuo na cafeicultura, mas os resultados dependem de um ciclo climático mais estável. O otimismo para 2026/27 existe, mas, previsões animadoras são recorrentes no setor, e a realidade pode ser diferente caso o clima não colabore.
No mercado, a volatilidade se intensificou. Com muitas incertezas e dificuldades financeiras, os negócios estão sendo fechados em prazos mais curtos, evitando grandes exposições ao risco. A inversão das bolsas de Nova York e Londres tem dificultado ainda mais as operações, tornando o fluxo de caixa a principal preocupação do setor. Esse cenário reforça a necessidade de estratégias mais cautelosas para enfrentar um mercado cada vez mais imprevisível.
Empresa do Vietnã exporta casca de café por US$ 40 por quilo
A DakLak September 2nd Import-Export Company Limited (Simexco Daklak) exportou em 24 de fevereiro um lote de casca de café especial Cascara para a República da Coreia (ROK). A remessa consistiu em 500 kg de casca de café, avaliada em quase 1 milhão de VND (40 USD) por kg. Este evento marcou um marco importante na estratégia da Simexco Daklak de desenvolver produtos de café especiais, abrindo novas oportunidades para a indústria de café vietnamita se expandir globalmente.
O diretor geral da Simexco Daklak Thai, Anh Tuan, disse que o café especial é conhecido não apenas pelo alto valor dos grãos de café verde, mas também pelo potencial significativo de outras partes da cereja do café, particularmente a casca. Anteriormente, a casca de café era descartada. Mas agora, ela é totalmente utilizada pela Simexco Daklak para criar casca de café Cascara de alto valor.
Casca de café cuidadosamente processada pode ser usada para produzir chá Cascara - uma bebida deliciosa e nutritiva que está se tornando cada vez mais popular no mundo todo. O valor da casca de café Cascara não está apenas em seu sabor distinto, mas também em seus benefícios à saúde, incluindo efeitos antioxidantes, suporte digestivo e reforço imunológico, disse Tuan. Além disso, produtos feitos com casca de café Cascara são uma escolha adequada para aqueles sensíveis à cafeína, buscando uma fonte de energia mais positiva.
O envio de casca de café Cascara para a República da Coreia, um dos maiores mercados consumidores de café da Ásia, abrirá muitas oportunidades para a cooperação e o desenvolvimento de longo prazo da Simexco Daklak, além de aumentar o valor do café vietnamita no mercado internacional, observou ele.